Muitos jovens enveredam pelo caminho da
"experimentação", onde vivenciam novas sensações com sexo, droga e
álcool. E essa constância do uso da droga e do álcool leva à
violência. E a violência leva ao crime e, inevitavelmente, mais
cedo ou mais tarde o crime leva à prisão, que destrói famílias até
então bem constituídas, que passam a viver um pesadelo onde a
vergonha, a perda financeira e a peregrinação às instituições da
Justiça imperam, afetando a todos os
parentes.
Estes adolescentes, pertencem a todas as classes
sociais. Eles acreditam que não estão viciados e que podem parar de
usá-las a qualquer momento, que não estão comprometidos, viciados
ou dependentes. Eles também acham que os pais não sabem o que
dizem, porque são velhos. Que nunca serão descobertos pelas
autoridades, que são espertos, que há muitos casos de traficantes
que nunca foram presos.
A mídia reforça o glamour do luxo, da gala e da
ostentação como padrões que deveriam ser buscados por todos. E
oferece um espaço generoso para quem se comporta de maneira
extravagante.
O álcool e as drogas não são tratados como
questão de saúde pública e muito menos como desvio de
comportamento. As emissoras incentivam de maneira subliminar o
consumo de álcool em todas as situações de confronto entre os
personagens. Os novos padrões sociais vigentes também são
perversos. Não basta ser, é preciso ter e, de preferência,
ostentar, porque quem ostenta aparece com certeza nas publicações
badaladas e é convidado para todas as
festas.
A família
Hoje é comum, nas salas de aula, as crianças
terem duas casas para morar, duas mães, dois pais, oito avós,
vários tios, irmãos, agregados e nenhum apoio emocional para
conviver com tantos hábitos, costumes e situações diversas. O que
não é bom é a ausência de conversa sobre essas mudanças e os
traumas, conflitos e medos ficam latentes por muito tempo,
refletindo em comportamentos diferenciados e frustrações
ilimitadas.
A família é apenas um dos fatores. Há muitos
outros muito mais influentes além de um pai ausente, uma mãe que se
mata de trabalhar, um irmão que não está disposto a pegar no
batente, um tio bêbado, uma avó que provoca brigas em casa ou a
vizinha que é o pivô de várias discussões. Há ainda a falta de
dinheiro, a falta de perspectiva, a falta de saneamento, a falta de
transporte e a visão distorcida que os errados sempre vencem e que
a impunidade é perene.
A droga
O novo brinquedinho de executivos e jovens sem
estrutura emocional suficiente para dizer "não, obrigado!", avança
seus domínios diariamente. São drogas lícitas e ilícitas. São
drogas que se fumam, se cheiram e se consomem como comprimidos. E a
sociedade está acompanhando o crescimento da violência urbana, o
assassinato de inocentes, o rompimento de relações, o
distanciamento das pessoas, a indiferença de órgãos públicos e a
guerra do tráfico.
Qual é a atitude que os pais devem tomar diante
de suas crianças, recém-chegadas à adolescência, que estão usando
ou começando a usar drogas?
Como agir
Não podemos procurar culpados, pois a culpa não
é de ninguém. É do todo. Das autoridades que não se mexem, da
sociedade que finge que não é com ela, da mídia que não combate, da
escola que não faz um trabalho vigilante e dos pais, ausentes ou
presentes, que ficam atônitos sem saber o que
fazer.
Por que os usuários mentem, enganam e camuflam.
São envolventes e convincentes. E é bom ouvir o que se quer, ver o
que se quer e colocar a culpa nos outros para o que não se pode
combater. Mas o fato é que, se a droga já entrou na sua casa, você
não pode mais ficar em estado de choque. Nem de braços cruzados.
Tem que partir para a ação.
Múltiplas histórias
L.S. tem 19 anos. Uma vida inteira pela frente.
Sonhador como todos da sua geração: queria comprar uma casa, usar
tênis de marca, trabalhar num carrão. L.S. ia fazer tudo isso. Mas
foi pego pela polícia. E agora vai amargar longuíssimos 10 anos de
prisão. E, enquanto isso não acontece, os irmãos andam com vergonha
por serem apontados na rua, os pais andam cabisbaixos por terem seu
lar destruído e a namorada foi embora, porque não pode esperar 10
anos para começar a construir sua vida.
J.F. teve um surto e sua família o internou
quando tinha 30 anos. Ele ficou seis meses internado, até que
convenceu um dos membros da família que poderia sair. De vez em
quanto ainda sucumbe e usa drogas. Está mais controlado e voltou a
ter uma vida quase normal.
R.B. foi além do uso da droga. Partiu para a
violência e praticou um seqüestro relâmpago. Deu azar e esqueceu
seus pertences dentro do carro da vítima. esteve preso 12 anos. Ele
e a família, que toda semana ia visitá-lo na prisão ou andava atrás
dos advogados para tentar reverter a sentença de condenação. Ele
acabou com sua carreira e o seu futuro. Saiu da prisão contaminado
por uma bactéria e hoje vive com balão de
oxigênio.
S.C. bebia muito para esquecer o que sua mulher
lhe pedia e ele não podia proporcionar. Um determinado dia resolveu
pegar um empréstimo na empresa, sem avisar ao dono. Foi preso por
desfalque. Passou anos na prisão. Ao sair, bebia para esquecer o
confinamento e morreu de cirrose hepática. Com ele, enterrou os
sonhos de sua mulher, a vergonha de seus filhos e o alívio da
família por todo seu sofrimento.
Como você pode verificar, cada caso é um caso e
não há uma receita pronta, além de estar disponível para ouvir e
dar amor. Porém, é preciso observar que amor não tira ninguém da
prisão e muito menos é sinônimo de resultado. O que essas pessoas
que sucumbiram precisam é de ajuda médica, psicológica,
psicanalítica, espiritual e religiosa. Se você está passando por
esta estrada neste momento, respire fundo, conte até dez e faça um
mapa dos acontecimentos. Avalie onde seu ente querido está e onde
ele pode chegar se continuar caminhando nessa via. E se concluir
que não tem como agir, faça o impossível para interná-lo. Mesmo que
seja à força. Mesmo que doa muito. É melhor ele estar internado
onde VOCÊ pode dar assistência médica, vê-lo e trocá-lo de lugar
quando quiser, do que deixá-lo cair nas mãos da polícia, onde você
não tem nenhum poder e vai ficar à mercê da lei e de juízes,
delegados, carcereiros e policiais.
Após-internação
A internação pode durar de 30 a 360 dias,
dependendo da conduta do paciente e grau de dependência química. A
clínica vai servir para desintoxicar e tratar das crises de
abstinência, que podem provocar febre, tontura, vômitos,
alucinações, delírios, etc.
Quando o ex-viciado puder voltar para casa, ele
vai precisar de uma equipe multidisciplinar: Narcóticos ou
Alcoólicos Anônimos, psiquiatra, psicoterapeuta ou psicólogo, além
de ajuda espiritual. Também é recomendável que a família tenha um
acompanhamento terapêutico para conseguir lidar com essa nova
realidade. Sem todo esse aparato, dificilmente seu familiar poderá
manter-se longe das drogas e voltar a levar uma vida
normal.